O espaço em disco e o tráfego são os limites que toda a gente compara antes de contratar. Não são, na prática, os que mais vezes param um site. Há outros três, menos falados, que são a explicação para a maior parte dos «mas eu tenho espaço de sobra» que nos chegam.
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Aqui não vai encontrar números, de propósito. Os valores mudam de plano para plano e mudam com o tempo, e um número escrito num artigo fica errado na semana seguinte. O que vale é o que o seu painel mostra e o que está em preços e planos. Este artigo explica o que cada limite é e como se lê.
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Inodes: o número de ficheiros, não o tamanho
Um inode é uma entrada no disco: um ficheiro, uma pasta, uma mensagem de correio. Um ficheiro vazio gasta um inode; um ficheiro de vários gigabytes também gasta um. O limite conta quantas coisas tem, e não quanto pesam.
Daí a situação que desconcerta toda a gente: o painel mostra disco livre e o site já não consegue gravar nada. Deixam de entrar e-mails, o site deixa de guardar imagens, e as mensagens de erro não costumam dizer a palavra inode.
| O que os gasta |
Porquê |
| Pastas de cache |
Um plugin de cache pode criar um ficheiro por cada página e por cada variante dessa página. Milhares de ficheiros minúsculos, e a maior parte já sem servir para nada. |
| Correio |
Cada mensagem é um ficheiro. Numa conta com várias caixas antigas, o correio é quase sempre a maior fatia dos inodes. |
| Cópias deixadas no servidor |
Aquele ZIP do site inteiro que gerou há oito meses e nunca descarregou, e a pasta site-antigo ao lado da nova. Contam por dentro, ficheiro a ficheiro. |
| Bibliotecas de programação |
Uma pasta de dependências de um projecto moderno tem frequentemente mais ficheiros do que o site inteiro. Se não precisa dela no servidor, não a põe lá. |
| Galerias e miniaturas |
Cada imagem enviada gera várias versões em tamanhos diferentes. Uma galeria de mil fotografias pode ser vários milhares de ficheiros. |
Processos e pedidos em simultâneo
Este é o limite que quase ninguém percebe à primeira, porque não se mede por dia: mede-se ao mesmo tempo. O plano permite um certo número de pedidos a serem processados em simultâneo. Um pedido que demora meio segundo ocupa um lugar durante meio segundo; um que demora oito segundos ocupa-o durante oito.
Por isso é que um site rápido aguenta muito mais visitas do que um site lento com o mesmo plano, e por isso é que o número de visitas por dia não serve para saber se o plano chega. O que conta é quantas coincidem.
Quando se esgota, os pedidos a mais são recusados: o visitante vê uma página de erro em vez do site, e segundos depois já está tudo bem outra vez. É um limite que se atinge em rajadas, e é por isso que o próprio dono do site raramente consegue reproduzir a queixa.
Memória e processador
A conta tem um tecto de memória e uma fatia de processador atribuídos, e são delimitados de propósito: é isso que impede que um vizinho a consumir de mais lhe roube a máquina. A diferença de comportamento entre os dois é importante:
| Recurso |
O que acontece quando chega ao tecto |
| Memória |
A operação falha. Página em branco, erro crítico, importação que pára a meio. É brusco e nota-se. |
| Processador |
A operação não falha: é abrandada. O site continua a responder, só que devagar. É por isso que o sintoma do processador esgotado é lentidão e não erro, e é por isso que ninguém suspeita dele. |
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A memória da conta não é o memory_limit do PHP. Confundem-se sempre. O do PHP é o máximo que um pedido pode gastar de cada vez, e serve de travão; o da conta é o total que tem, partilhado por tudo o que estiver a correr ao mesmo tempo. Subir o do PHP não lhe dá mais recursos. Está explicado no artigo «Os limites do PHP: memória, tempo, tamanho de upload e o que falha em silêncio».
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Onde se vê tudo isto
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A coluna de estatísticas do cPanel, ao lado dos ícones, mostra o essencial com o limite ao lado de cada valor: espaço usado, contagem de ficheiros (os inodes), bases de dados, contas de e-mail, subdomínios. É o sítio mais rápido para saber onde está.
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A Utilização de Recursos, na secção Métricas, é a que interessa para o processador, a memória e os pedidos em simultâneo. Mostra o consumo contra o limite ao longo do tempo, e marca as alturas em que bateu no tecto. É aí que se responde à pergunta «o plano chega ou não?».
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A Utilização do Disco, na secção Ficheiros, diz-lhe que pastas estão a pesar. É por onde se começa antes de apagar o que quer que seja.
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Os Erros, também nas Métricas, gravam as falhas por limite atingido, com data e hora. Cruzar isso com a Utilização de Recursos costuma dar a resposta em dois minutos.
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Do sintoma ao limite provável
| O que está a ver |
Suspeite de |
| «Não consigo gravar ficheiros, mas tenho espaço livre» |
Inodes. |
| «Deixaram de entrar e-mails e o disco não está cheio» |
Inodes, quase de certeza. |
| «O site cai nas horas de ponta e recupera sozinho» |
Pedidos em simultâneo. |
| «Página em branco numa operação pesada» |
Memória. Pode ser a do PHP, pode ser a da conta. |
| «O site está sempre lento, a qualquer hora» |
Processador, ou o próprio site. Mais vezes o próprio site. |
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Antes de subir de plano, limpe. Esvaziar o lixo e o spam de todas as caixas, apagar as cópias antigas deixadas no servidor e limpar a pasta de cache costuma devolver uma quantidade de inodes que surpreende. É meia hora de trabalho e evita uma mensalidade maior para sempre.
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E quando a limpeza já não chega, então sim: o site cresceu e o plano deixou de servir. Aí a resposta honesta é um plano maior, e não mais aperto. Os limites de cada um estão em planos de hospedagem; se o que precisa é de mandar nos limites em vez de os aceitar, a conversa passa a ser sobre um VPS.